Os desafios da maternidade solo

Os desafios da maternidade solo

A chegada de um filho já é um momento desafiador para compartilhar entre a mãe e o pai, mas quando a maternidade é solo requer ainda mais cuidados de toda a rede de apoio

As mulheres trabalham cerca de 7,5 horas a mais do que os homens em uma semana. Isso se deve ao fato da jornada dupla de trabalho, entre casa e trabalho. Foi o que constatou um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e ressalta a normalização da sobrecarga feminina por parte da sociedade.

Aliado a esse fator, temos o crescimento das mulheres que assumem o papel de “mães solos”, mulheres que são inteiramente responsáveis pela criação dos filhos. A expressão chegou para substituir definitivamente o uso pejorativo de “mãe solteira”, afinal, o estado civil não tem relação com o cuidado solo ou coletivo de um filho.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem 57,3 milhões de mães solo, o equivalente a 38,7% de brasileiras chefiando seus lares. Esse panorama mencionado nos dá uma noção de como a maternidade solo é uma realidade e que deve ser vista não apenas como símbolo de resiliência e força das mulheres, mas como um novo molde familiar que deve ser enfrentado com cuidados e se possível, com a ajuda de uma rede de apoio.

“É importante que a mãe solo saiba que em procurar ajuda especializada como psicólogos, pode auxilia a ressignificar esse lugar e aumentar a resiliência emocional“.

VIVIANA MADISSON

Ser mãe solo envolve desafios como o preconceito – que ainda existe – porque a sociedade cobra padrões familiares pré-definidos. Desafios da sobrecarga de atividades e responsabilidades externas, assim como desafios emocionais de ser o principal pilar daquela criança/adolescente, administrar cuidados com a casa, trabalho, vida financeira e o próprio autocuidado, que muitas vezes fica negligenciado.

Por essas e outras que a maternidade solo exige cuidados, porque quem a exerce é uma pessoa de carne e osso, que vai precisar ser cuidada para cuidar. Infelizmente esse cenário de sobrecarga da mulher torna essa missão ainda mais árdua, pois as mães solos habitualmente tem duas jornadas de trabalho – literalmente – o trabalho externo para trazer renda para casa, e os cuidados com a família e o lar.

E engana-se que a maternidade solo é coisa do passado. Apenas no primeiro semestre de 2020, 80.904 crianças tiveram registrado apenas o nome das mães nas certidões de nascimento. As informações são da Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional).

E falando sobre os cuidados que a maternidade solo necessita, podemos mencionar a importância de as mães terem momentos para si, pois isso afeta diretamente o bem-estar físico, psicológico e emocional da mulher.

Nessas horas habitualmente escuto “mas que horas vou conseguir tempo para isso”, e eu convido para refletir sobre a importância da rede de apoio, pois colaborará para que a missão solo da mãe seja mais leve e o filho possa ter vivências com pessoas importantes, como tios, avós, amigos, entre outros.

É importante que a mãe solo saiba que em procurar ajuda especializada como psicólogos, pode auxilia a ressignificar esse lugar e aumentar a resiliência emocional. É necessário que haja uma resignação do propósito da maternidade solo e a mulher se redescubra dando novos significados a esse papel.

Mais importante do que ter um alguém para dividir a maternidade é que você está fazendo o seu melhor e você é incrível por isso! A sua missão como mãe é muito bonita e profunda, mesmo apesar de muitas vezes parecer altamente desafiadora.

E lembre-se que para cumprir de uma forma ainda melhor esse propósito, cuidar de você é essencial. A maternidade solo não é um presente, mas é um caminho de desafios e recompensas que vai te levar a um lugar lindo: a criação do seu maior feito, o seu filho.

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