O método psicoterapêutico foi popularizado nos anos 70 e nos ajuda a compreender comportamentos e atitudes relacionados à sua origem e suas relações
Parodiando a famosa frase da nutrição “você é o que você come”, arrisco dizer neste texto que nós somos boa parte da família onde nascemos e pertencemos, mesmo que isso seja inconsciente para a maioria das pessoas por muito tempo. Desde o ventre somos influenciados pelos nossos familiares, pois este é o núcleo de convivência que sempre está presente em nossas vidas, uma exposição que forma nossa personalidade, valores, princípios, crenças…
Imagine que a nossa família é o nosso “ponto de partida”, e assim como herdamos genes, também somos influeciados na formação da nossa personalidade, comportamentos e atitudes ao longo da vida. Todos precisamos pertencer a um grupo e compreender nossa história e inserção nele.
Compreender nossa relação dentro deste núcleo e como isso pode estruturar nossa leitura de mundo e com o nosso eu interior, é fundamental para nossa saúde mental e consequentemente, física. Essa descoberta pode ser esclarecida durante o processo de Constelação Familiar.
O método foi popularizado nos anos 70 pelo psicoterapeuta alemão, Bert Hellinger e desde o início teve como foco estudar e compreender padrões de comportamentos de grupos familiares de geração em geração. Com o estudo, o profissional começou a ajudar pessoas a resolverem seus problemas, comportamentos, sentimentos, dúvidas e muitas vezes, crenças limitantes relacionadas e originárias em seu núcleo familiar.
Algumas correntes da psicologia influenciaram no desenvolvimento da Constelação Familiar, como o Psicodrama, Jung, Freud e a Teoria Sistêmica.
E como a Constelação funciona? A pessoa que quer constelar traz o tema que gostaria de ser trabalhado e compartilha com o Constelador que vai mapear as relações familiares, fatos e relatos significativos ocorridos dentro da família, sendo a de origem ou a família adotiva. Após esse mapeamento as ferramentas do Psicodrama entram em ação. A constelação pode ser feita em grupo ou com bonecos, isso é acordado anteriormente. E o sistema da pessoa, sendo representado por outras pessoas ou bonecos vai apresentando onde há desequilíbrios e o que precisa ser harmonizado.
Podemos dizer que a Constelação Familiar é formada por 3 leis que a regem: hierarquia, pertencimento e equilíbrio. Segundo Bert, quando elas são seguidas, todo o sistema familiar segue em harmonia e quando alguma delas é desrespeitada, por sua vez ocorre uma desestabilização familiar.
Deste modo, podemos exemplificar para cada uma das 3 leis:
– Pertencimento – todas as pessoas têm direito a pertencer ao sistema familiar, tendo o seu lugar nesse grupo social. A necessidade de pertencer a um núcleo é mais forte até do que de sobreviver. Se por algum motivo, existe a exclusão de algum membro familiar ou se por acaso alguém não se sente parte da família, gera um desequilíbrio no sistema;
– Hierarquia – de acordo com o método, dentro da família existe uma ordem nas relações que é regida pela hierarquia familiar. Desta forma, quem veio primeiro está há mais tempo no sistema e tem o seu lugar de pertencimento. O que isso quer dizer? Por exemplo, os avós vieram primeiro que os netos, e o seu papel e lugar na família é diferente em nível de responsabilidade, relação de afeto e de papéis. Então quando, por exemplo, os filhos ignoram os seus pais e geram uma relação com os avós como se esses fossem os pais, o sistema passa a viver em desequilíbrio. Também outro exemplo pertinente de desequilíbrio é quando os filhos tentam assumir o papel dos pais. Os especialistas da teoria dizem que sempre que acontece um desenvolvimento difícil na família é porque algum membro violou a hierarquia do sistema;
– Equilíbrio – a troca dentro das relações devem ocorrer de forma equivalentes. Isso vale para praticamente todas as relações, sendo de trabalho, afetiva, amizade. A única relação que tem exceção é dos pais para os filhos. Os pais oferecem aos filhos a vida, algo tão grandioso que jamais pode ser retribuído. Nesta lei podemos mencionar que o equilíbrio está na troca de forma mútua em qualquer relação, para que ocorra de uma forma saudável. Relações em desequilíbrio também precisam ser harmonizada.
A Constelação Familiar se fixa nestas leis. Se estiverem em ordem, toda a família caminhará de forma harmoniosa. Se as leis estiverem em desordem, provavelmente a vida dos integrantes estarão em desequilibrado, o que nos mostra que o método visa propagar o equilíbrio nas relações, sem que haja desajustes que muitas vezes são replicados por gerações e passam como uma “herança” de desequilíbrios nas relações para os indivíduos.
Em resumo, o método da Constelação Familiar evidencia o que está em desequilíbrio nas nossas relações afetivas e busca harmonizar. Quando tomamos consciência desse desequilíbrio nós conseguimos “superar” a situação em questão e seguir em frente de forma mais saudável.
A Constelação Familiar auxilia no enfrentamento a diversos desafios da vida, entre os principais:
– Relacionamento entre familiares;
– Relacionamentos afetivos;
– Solução de problemas financeiros;
– Compreensão de conflitos emocionais;
– Rompimento de atitudes prejudiciais ao convívio;
– Dificuldades profissionais;
– Conexão com seu propósito de vida.
Já tinham lido sobre o tema? Opinem aqui nos comentários… vai ser um prazer continuar escrevendo para vocês sobre um tema tão importante e sempre atual.

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