Abuso sexual e estupro são muito recorrentes e ainda poucos conversados. Segundo o portal de Cidadania e Justiça do Governo Federal, em 2015 e 2016, 37 mil denúncias de violência sexual foram registrados pelo Disque 100 com crianças e jovens de 0 a 18 anos.
Ainda, segundo esta reportagem, “A maior parte das denúncias é referente aos crimes de abuso sexual (72%) e exploração sexual (20%).”.
Isso considerando os casos que efetivamente chegaram a serem denunciados, porém estimasse que mais da metade dos abusos sexuais e estupros permanecem em silêncio.
Desta forma, diante de tantos indicadores alarmantes, seguem algumas sugestões para protegerem os seus filhos para esta realidade tão terrível.
1 – Converse com os seus filhos
O primeiro passo para proteção contra violência sexual é conversar com os seus filhos sobre o assunto, explicando quais partes do seu corpo devem ser protegidas, quais tipos de toques são impróprios e quais cuidados devem tomar.
Este canal de comunicação aberto é imprescindível para criar um laço de confiança e permitir que a criança converse sobre situações que acontecem na sua vida.
2 – Acompanhe as pessoas do convívio do seu filho
Segundo o Seminário O problema é nosso, realizado pelo TJ-RS, entre 85% a 90% dos casos de violência sexual aconteceram com pessoas conhecidas da vítima.
Isso é, pode ser um colega mais velho, um cuidador, até mesmo um parente. Então acompanhar a rotina do seu filho, ouvir se ele diz “não gostar de alguém” ou ter medo de alguns lugares, é importantíssimo para evitar expô-lo a situações de violência sexual.
Se algum parente distante vier passar um tempo na sua casa, preferencialmente deixe suas crianças dormindo no seu quarto. Evite deixar os seus filhos dormirem no mesmo quarto que pessoas distantes.
3 – Ensine a criança a evitar contato com estranhos e lugares suspeitos
Mesmo apesar dos indicadores mostrarem que a maior parte das situações de violência sexual acontecem em ambientes do convívio da criança, explicar sobre evitar falar com estranhos e lugares pouco movimentados ou escuros também é importante para evitar algum tipo de agressão.
4 – Observe os comportamentos
As crianças sinalizam quando algo não está bem.
Os sinais mais comuns são: baixa do rendimento escolar, problemas de dormir, reclusão, problemas com a alimentação, marcas estranhas no corpo, infecções de urina de forma recorrente, entre outros.
Se o seu filho é uma criança ativa, brincalhona e sem um “motivo aparente” passa a ser mais tímida ou apresenta alguns dos sinais acima, estimule a conversar com você sobre o que houve. Pode ser sinal que algo não está bem.
5 – Verifique os históricos dos lugares
Antes de inserir o seu filho numa atividade nova ou numa excursão, verifique antecipadamente o preparo do local para receber crianças e se há histórico de algum tipo de problema anterior.
6 – Estimule o seu filho a se defender
Explique ao seu filho que em situações que se sentir indefeso ou se sentir em apuros pedir por ajuda. Isso pode ser por telefone, ligando para autoridades ou recorrendo a adultos no local.
7 – Acredite no seu filho e tome alguma ação
Se o seu filho compartilhar que vivenciou algum tipo de violência sexual, denuncie!
Mesmo que sejam apenas suspeitas, leve para as autoridades competentes. Mesmo que o abusador seja uma pessoa conhecida, denuncie!
O silêncio e o segredo podem permitir que outras crianças vivenciem situações similares.
Considerando este contexto, gostaria de te convidar para assistir o filme Spotlight, baseado na história real de uma investigação que descobre violência sexual no ambiente religioso.

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