Porque as vítimas de estupro não conseguem denunciar o crime

Recentemente virou notícia a situação do homem Diego após ejacular no pescoço de uma mulher num ônibus em São Paulo. Este caso chocou o mundo, pois além do fato em si, ele foi absolvido por que o juiz determinou “não haver constrangimento à vítima”.

Em 2009 foi publicada a lei definindo o estupro como Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”

Qualquer toque ou ameaça não consentida pode ser considerado estupro e a vítima merece ser respeitada e denunciar o que houve. Apenas quando estas atrocidades forem sinalizadas e trazidas à tona, a partir do momento em que se conversar a respeito deste assunto que se poderá vislumbrar o início de uma mudança.

Há indicadores que 11 mulheres são estupradas por minuto no Brasil. 11 mulheres! E elas podem ser suas amigas, vizinhas, namoradas, mães ou filhas. Então por que ainda há esse silêncio?

Acredito que são 4 principais pontos que fazem a vítima ficar quieta, sendo eles:

1 – Medo de dizer o que houve

Viver uma violência como o estupro além de marcar profundamente a pessoa, traz consigo medo do que as outras pessoas vão falar, como será o processo e como a vítima ficará exposta. Até mesmo vem o medo de contar a respeito e sofrer algum tipo de discriminação ou preconceito decorrente disso.

2 – Vergonha do que viveu ou podem dizer sobre

É comum as pessoas tentarem justificar o estupro colocando a culpa na vítima, sinalizando que isso ocorreu por causa do tipo de roupa que estava usando, do local onde frequentava, do jeito que conversa com outras pessoas. E nada disso são justificativas para tal ato!

Lembro-me ano passado no caso da moça de 16 anos no Rio de Janeiro que foi estuprada por 33 homens algumas pessoas justificarem dizendo “Ela era escrava do sexo”, “veja a roupa que ela estava usando”, “ela era frequentadora do baile funk”. E nenhuma destas justificativas amenizam a atrocidade que ela sofreu e a tiram do lugar de vítima.

3 – Fragilidade

O estupro é uma condição de poder. O agressor possuí a vítima independentemente da sua vontade. Ele se coloca na condição de mais forte e viola, da pior forma, o corpo da outra pessoa. E esta condição além de muito delicada ainda é tratada com pouca sensibilidade e baixo acolhimento.

4 – Sistema jurídico machista

O sistema é machista. Muitas vezes as vítimas são recebidas por homens que tentam encontrar “justificativas” para o ato. Como se a explicação para o estupro estivesse atrelada à forma como a vítima age e não do agressor efetivamente.

Exemplo disso é a própria decisão do caso citado no início do artigo.

E mesmo apesar de todos estes pontos negativos sobre não conversar sobre abuso sexual e estupro, há o outro lado da moeda.

Como as leis podem mudar se não houver indicadores de que esta violência realmente acontece?

Como proteger as mulheres que você ama de algo tão abominável e atroz?

Apenas denunciando!

Se você já sofreu ou conhece alguém que já passou por algo assim, primeiro acolha, ela precisa da sua atenção e carinho para conseguir seguir em frente. Segundo, a estimule buscar a delegacia mais próxima, ou pela Central de Atendimento à Mulher, 180, e denunciar o que ela viveu.

E gostaria de te convidar para assistir a série “13 reason why” que conta os motivos que uma adolescente, após sofrer diversos abusos em silêncio, decidi por tirar a sua própria vida.

Se você achar válido, passe a diante esta informação e compartilhe com as pessoas que você ama.

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